Gesso na cana contribui para sequestro de carbono no solo

Dados de dez anos de estudos conduzidos na área experimental da Embrapa Cerrados (DF) registraram que o uso do gesso agrícola (sulfato de cálcio) na cana-de-açúcar não só eleva a produtividade da cultura como também pode ser um importante aliado no sequestro de carbono atmosférico. “Isso ocorre devido ao maior crescimento das raízes”, explica o pesquisador da Embrapa Djalma Martinhão. De acordo com seus estudos, além de dar maior retorno econômico ao produtor, o gesso também contribui para diminuir o passivo ambiental.

O experimento que está avaliando o comportamento do gesso no cultivo de cana-de-açúcar começou em 2008, com a caracterização do solo. O plantio da cana no local foi feito em julho de 2009. Os estudos visam suprir os produtores de informações sobre a duração dos efeitos residuais de doses de gesso nos atributos químicos do solo, na densidade de raízes e na produtividade dos canaviais.

“A produtividade média da cana no Brasil é de 70 toneladas por hectare (t/ha). Aqui, conseguimos 120 t/ha no nono corte, isso representa um aumento de quase 50% da produtividade alcançada na ausência do gesso, que foi de 81 t/ha”, comemora o estudioso.

Com relação ao comprimento das raízes, as análises registraram que em quatro anos elas cresceram bem até um metro de profundidade e, em sete anos, o efeito do gesso em seu desenvolvimento foi melhor até dois metros. “O uso do gesso nesse local promoveu um incremento de 34% na massa de raízes, em especial na camada de 40 cm a 200 cm. Devido a isso, registramos um ganho de 12,3 toneladas de carbono por hectare nessa camada de até dois metros”, afirma Larissa Tormen, orientanda de Martinhão durante o doutorado em Agronomia pela Universidade de Brasília (UnB), cujos estudos foram realizados na Embrapa Cerrados.

Pesquisador Djalma Martinhão mostra os ganhos obtidos na cana-de-açúcar com a aplicação de gesso.


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